terça-feira, 6 de novembro de 2012

Casal 'velho' recorre à Justiça após ter pedido de adoção negado


NATÁLIA CANCIAN
DE SÃO PAULO



"Disseram que estaríamos velhos demais para cuidar de uma criança." É assim que S., 50, descreve a justificativa que ele e a mulher, M., 49, receberam quando tentaram, há três anos, entrar no cadastro de pretendentes à adoção.


Considerado "velho" na época, o casal, que não quer se identificar, recorreu e conseguiu na Justiça o direito de entrar na fila para esperar a futura filha --ele e M. querem uma menina de até dois anos.



A decisão foi tomada pela Justiça de SC este mês. Antes, o pedido havia sido negado pelo juiz da comarca local e pelo Ministério Público, apesar da decisão favorável nos testes aplicados por psicólogos e assistentes sociais. A única justificativa: a idade do casal.
Para a Promotoria, havia uma "diferença considerável" entre o casal e a criança pretendida. 

"Assim, quando esta atingir a adolescência, aqueles já estariam na terceira idade", disse o parecer.

S., que também é filho adotivo, rebate. "Nunca me passou pela cabeça que fosse tarde demais. Para mim, a idade não muda nada. Eu trabalho, tenho saúde", afirma.
O casal teve três filhos, mas eles morreram devido a uma doença genética. M. conta que tinha pensado em adotar antes, mas adiou os planos para se dedicar aos filhos até o fim.
Ela diz que a negativa os surpreendeu. "Pensei que poderia adotar com qualquer idade", conta M. "Graças a Deus, agora foi aprovado. Vou esperar o tempo que for."

PAIS DEPOIS DOS 40

Para Mery-Ann Furtado e Silva, secretária-executiva da Comissão Estadual Judiciária da Adoção de SC, o caso de S. e M. foi "atípico". Ela lembra que, hoje, a lei estabelece diferença mínima de 16 anos entre pretendente e adotado, mas não há limite máximo.

O casal catarinense tem o perfil da maioria dos interessados em adotar. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, que reúne dados sobre adoção no país, seis em cada dez pretendentes à adoção têm acima de 40 anos.

Hoje, há 28.151 interessados em adotar, número cinco vezes maior que o de crianças disponíveis (5.281).

A preferência dos pais em relação à idade das crianças é considerado o maior entrave no processo. Ao todo, 93% dos interessados, como S. e M., querem crianças com menos de cinco anos. Mas só 9% das crianças têm essa idade.

"Esse é o descompasso da fila. [A maioria] das crianças que está nos abrigos ninguém quer", diz o juiz Reinaldo Cintra, da coordenadoria de infância do TJ-SP.

Para Cintra, mais do que a vontade dos pretendentes, é preciso verificar se o pedido vai atender às necessidades da criança a ser adotada.

"O que existe é uma preocupação de que a adoção seja o mais próximo possível de uma situação natural. Se uma pessoa de idade elevada quer uma criança pequena, corre-se o risco de ter uma orfandade muito cedo", pondera.


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Maurício de Sousa lança gibi com personagens soropositivos

Original em: http://www.gazetadopovo.com.br/saude/conteudo.phtml?id=1298515&tit=Mauricio-de-Sousa-lanca-gibi-com-personagens-soropositivos

Por meio de Igor e Vitória, o criador da Turma da Mônica vai abordar questões como forma de contágio, o que é o vírus, como viver com crianças soropositivas e o impacto social da síndrome.


Brasília - Maurício de Sousa lançou nesta segunda-feira (17/09) seu primeiro gibi com personagens que têm o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Por meio de Igor e Vitória, o criador da Turma da Mônica vai abordar questões como forma de contágio, o que é o vírus, como viver com crianças soropositivas e o impacto social da síndrome.

A ideia dos personagens foi da ONG Amigos da Vida, que atua na prevenção e combate ao HIV/aids. Christiano Ramos, presidente da ONG, diz que o trabalho resolve um problema existente nas mídias voltadas para crianças. "O Maurício tem uma linguagem bem acessível, bem leve. Ele vem fazer um papel inédito, que é trabalhar a aids com muita leveza, tranquilidade e naturalidade para as crianças", disse.

Não é a primeira vez que o autor utiliza personagens de seus quadrinhos para levar informação e conscientizar seus leitores. Humberto, que é mudo, Dorinha, que não enxerga, e Luca, que não anda, mostraram que crianças com restrições físicas são crianças normais e devem ser tratadas como tal.

"Vamos usar a credibilidade da Turma da Mônica e nossa técnica de comunicação para espantar esse preconceito, principalmente do adulto, que muitas vezes sugerem medo à criançada. Vamos mostrar que a criança pode ter uma vida normal, com a pequena diferença de ter de tomar remédio a tal hora e, caso venha a se ferir, tem que ter alguém cuidando do ferimento. Fora isso, é uma vida normal", diz Maurício.
O autor diz que Igor e Vitória podem vir a fazer parte do elenco permanente da Turma da Mônica, não necessariamente citando o fato de eles serem soropositivos. Ele explica que o gibi é também voltado para os pais. "É uma revista única no mundo. E também é voltada para os pais. Criança não tem preconceito, são os pais que inoculam", diz.

Cláudia Renata, que é professora, levou seus filhos Maria Teresa e Lourenço para o lançamento. Ela diz que os filhos, antes de lerem o gibi, perguntaram quem eram aqueles novos amiguinhos. Para Lourenço, de 5 anos, são crianças normais. "Eles têm uma doença e têm que tomar um remédio. Só isso."
No gibi, Igor e Vitória, que aparecem ao lado dos personagens da Turma da Mônica, têm habilidades com esportes e levam uma vida saudável. A professora na história é quem explica que eles precisam tomar alguns remédios e que, no caso de se machucarem, um adulto deve ser chamado para tomar os cuidados adequados.

São 30 mil exemplares do gibi, que serão distribuídos gratuitamente nas brinquedotecas do Distrito Federal, na pediatria dos hospitais da Rede Amil (um dos patrocinadores do projeto) e nos hospitais públicos do governo do Distrito Federal.
O objetivo da ONG Amigos da Vida é que em 2012 as histórias de Igor e Vitória cheguem também a São Paulo, ao Rio de Janeiro, a Porto Alegre, a Curitiba, a Salvador e ao Recife.



terça-feira, 9 de outubro de 2012

Projeto de fotografia sobre órfãos soropositivos de Curitiba é tema de exposição fotográfica em Londres


A fotógrafa curitibana Michele Zambon participou entre os dias 11 e 15 de setembro da exposição Here and There que marca o encerramento do curso de mestrado em fotojornalismo da Universidade de Westminster em Londres. A mostra aconteceu na galeria Ambika P3 localizada dentro do campus da universidade em Baker Street e reuniu trabalhos de 13 alunos que exploraram temas diversos e revelaram o simples e o extraordinário que se pode encontrar em histórias íntimas de parentes próximos ou em causas socias significativas de diferentes países como Russia, Belarus, Cyprus, Yemen, Arábia Saudita, Armenia e Brasil.

Michele apresentou 10 fotografias que fazem parte do projeto Invisible Horizon (Horizonte Invisível), um ensaio documental baseado na vida de 15 meninos e meninas que vivem, a maioria desde recém-nascidos, em um orfanato para crianças afetadas pelo HIV/AIDS em Curitiba.

Para a maioria desses garotos a infância já passou, eles são adolescentes que estão entrando na vida adulta sem nunca terem pertencido a uma família. A razão primordial pela qual eles ainda vivem em uma instituição de apoio sobre a tutela do estado é que seus processos legais não andam ou não existem dentro do sistema judiciário brasileiro e seus nomes nunca foram inclusos nos registros de adoções, tão pouco no atual Cadastro Nacional de Adoção. Essa situação mostra a precariedade de políticas sociais e a falha do poder publico em respeito a prioridade dos direitos da criança e do adolescente.

Esses jovens têm uma condição especial, não a condição de serem soro-positivos, mas a condição de serem invisíveis para a sociedade. É por este motivo que nestas fotografias eu não posso mostrar os seus rostos. Sobre eles existe um horizonte invisível que, camuflado pela desculpa de proteção, os segrega e os priva de seus direitos. Nestas fotografias, pretendo mostrar com fragmentos extraídos de seus quotidiano dentro da instituição, o quadro maior que se esconde por traz destas imagens; a face do preconceito e da injustiça.



quarta-feira, 3 de outubro de 2012

MONACI TEM ENCONTRO COM O EXMO. DESEMBARGADOR CORREGEDOR DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ


O MONACI, ao fazer um ano de seu primeiro encontro com o Corregedor-Geral do TJ/PR, teve a oportunidade de reforçar a pauta de discussão daquela oportunidade, recebendo considerações de que medidas serão tomadas em favor das crianças abrigadas.

Na tarde de ontem, 02/10/2012, o MONACI participou de reunião com o Exmo. Des. Noeval Quadros, Corregedor-Geral do TJ/PR, para reforçar a necessidade de fiscalização na tramitação dos processos de destituição do poder familiar, o que levará, como consequência, à redução do tempo dos processos para efetivamente possibiliar a inclusão da criança/adolescente no CNA (Cadastro Nacional de Adoção). Vários casos foram apontados para demonstrar a morosidade na tramitação processual no Juizado de Curitiba, o que leva aos casais pretendentes a aguardarem por vários anos a tão desejada adoção. Na oportunidade, foi entregue àquela autoridade, cópia do requerimento de pedido de informações sobre a questão da adoção/abrigamento em Curitiba, com sustentáculo na Lei de Acesso à Informação, protocolado para a Presidência do TJ/PR em 15/08/2012, sem qualquer resposta oficial até o momento.

Aguardamos com esperança, aplicando o seguinte pensamento:

ESCOLA DA PAZ

Quem espera com paciência não desespera: encontra ânimo na superação dos obstáculos, prossegue em serviço no cumprimento de seus deveres, cooperando na formação do reino de amor entre os homens.
A paciência é a escola da paz. Por ela, acalmamos os impulsos de precipação. A paciência tem a parceria do tempo e o tempo e o entendedor do homem.
A paciência suporta.
A paciência persiste.
A paciência alcança.
A paz é a tiara da consciência.
(Irmão José - Psicografia de Ivanir Severino da Silva)


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A MOROSIDADE NA TRAMITAÇÃO PROCESSUAL PELA VARA DA INFÂNCIA DE CURITIBA PREJUDICA ANDAMENTO DE ADOÇÃO TAMBÉM EM OUTRO ESTADO.


No dia 28/08/2011, cientes de que o Poder Judiciário não daria a guarda provisória das meninas que pretendiam adotar, o casal Alberto e Aristéia, mantiveram contato com a Vara da Infância e Juventude no RJ, com a Dra. Mônica Labuto. No dia 02/09/2011 foram visitar instituição indicada pela MM. Juíza e se encantaram com um casal de irmãos, Mateus (14) e Daniele (10). No dia 03/09/2011 receberam a guarda provisória para que as crianças conhecessem Curitiba e a família Rau. Retornaram ao RJ no dia 13/09/2011 e, após audiência com a Dra. Mônica Labuto, obtiveram a guarda provisória das crianças, trazendo em mãos Carta Precatória para estudo de caso e adaptação das crianças, bem como modificação do perfil do casal no Cadastro Nacional de Adoção. A Carta Precatória que deveria ser cumprida em 90 dias até hoje não chegou à Vara do RJ, IMPEDINDO que a Juíza do RJ dê a sentença final para concretizar a adoção. Todos aguardam com ansiedade a sentença de adoção, principalmente as crianças, que não querem explicar o motivo de terem dois nomes, o da certidão de nascimento obrigatório em documentos oficiais (matricular escolar, plano de saúde, boletim, frequência etc.), mas QUEREM ter o nome da família do coração.

PARA AGUENTAR TANTO DESCASO DOIS GRANDES PENSAMENTOS:


Oração da serenidade
Senhor,

Dai-nos forças
Para aceitar com serenidade
Tudo o que não possa ser mudado.

Dai-nos coragem
Para mudar o que pode
E deve ser mudado.

E Dai-nos sabedoria
Para distinguir
Uma coisa da outra.

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Pensamento de Martin Luther King

É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar.
É melhor tentar, ainda que em vão que sentar-se, fazendo nada até o final.
Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias frios em casa me esconder.
Prefiro ser feliz embora louco, que em conformidade viver

Comentário de um visitante do MONACI

"Eu estou na fila de adoção que não anda nunca em SC... Agora ainda, meu marido e eu, temos que participar de um curso de pais... eu só queria entender pq só as pessoas que adotam tem que passar por toda essa burocracia... Já é doloroso saber que não posso engravidar e ainda ter que passar por toda essa burocracia e saber que existem crianças como essas 4 meninas que precisam de um lar e tem pais com braços abertos para recebe-las me faz entender menos ainda a justiça brasileira... "

Jack Machado da Silva de Aragão

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O MONACI PRESTA SUA HOMENAGEM AO EDUCADOR E FILÓSOFO PROFESSOR NEY LOBO


Faleceu às 20h do dia 28/08/2012 o ilustre paranaense PROFESSOR NEY LOBO. Educador e filósofo lutou até o último instante para concretizar seu sonho: educar as futuras gerações. Foi um privilégio imenso compartilhar da convivência de um homem que procurou viver um ideal: EVOLUÇÃO PELA EDUCAÇÃO. Coronel do exército, formado em filosofia pela Universidade Federal do Paraná, Diretor do extinto Colégio Lins de Vasconcelos por mais de uma década, escritor, espírita, mas acima de tudo, PROFESSOR. Lutava com paixão por suas idéias, tomando a causa do MONACI como mais uma bandeira que deveria ser defendida. Deixa saudades em todos aqueles que souberam apreciar uma mente brilhante.

Até breve querido amigo!

Veja: http://promonaci.blogspot.com.br/2011/03/o-esplendor-de-um-sublime-gesto-de-amor.html

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